Presidente da Petrobras comemora aumento de lucro em 200% e diz que 'quem apostar contra, vai perder'
Por: Rodrigo Viga Gaier
Fonte: Folha de S. Paulo
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira (6) que
o aumento do lucro da companhia de 200% mostra os esforços para aumentar a
produção eas vendas e dá um sinal claro para que os investidores continuem
confiando na empresa.
A Petrobras divulgou na quinta-feira (5) que obteve lucro líquido de R$ 110,1
bilhões em 2025, alta de 200,8% no comparativo anual, sustentado por aumentos
de produção, vendas e exportações e maior eficiência operacional, e a despeito
de uma queda dos preços do petróleo ante 2024, para uma média de US$ 70 por
barril, de acordo com o balanço.
"Quem apostar contra a Petrobras vai perder", comentou Chambriard em
entrevista à Reuters, ao comentar o resultado da companhia.
A CEO afirmou que a Petrobras continua observando o comportamento do
mercado de petróleo, que vive uma disparada de preços desde o início do conflito
envolvendo EUA, Israel e Irã, antes de qualquer decisão sobre eventual repasse
de preços.
"Agora é olhar para a frente e ver o que a Petrobras pode entregar a seus
acionistas e ao país no novo cenário de Brent que o contexto mundial está
desenhando", avaliou.
Algumas distribuidoras de combustíveis já estariam se antecipando e repassando
aos postos uma alta de preços pelo impacto da disparada do petróleo no
mercado internacional, informou a Fecombustíveis na quinta-feira (5).
A entidade, que reúne sindicatos patronais que representam cerca de 45 mil
postos de combustíveis no país, informou ter recebido relatos de que
distribuidoras estão elevando os preços, já que parte do fornecimento é
importada e parte feita por refinarias privadas. "Por isso, os preços nacionais são
afetados pelos preços praticados no mercado externo", afirmou a entidade.
"Os postos revendedores, por sua vez, representam apenas o último e mais frágil
elo da cadeia de comercialização e estão sujeitos ao aumento do custo para a
compra dos combustíveis junto às distribuidoras, com possíveis reflexos nos
preços ao consumidor", afirmou.
O reajuste relatado ocorre apesar de a Petrobras, que responde por cerca de 70%
do abastecimento no Brasil, não ter alterado seus preços.
O preço do diesel vendido pela Petrobras a distribuidoras está cerca de 30%
abaixo da referência internacional, configurando a maior defasagem desde 2022,
apontou um relatório do Goldman Sachs enviado a clientes na quinta-feira.
O presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de
Combustíveis), Sérgio Araujo, afirmou à Reuters nesta quinta-feira que entende a
decisão da Petrobras de esperar uma acomodação do mercado antes da
realização de reajustes, mas pontuou que já está na hora de elevar os preços
internos, citando riscos de a conjuntura desestimular compras pelos
importadores, que abastecem parte do mercado.
Procurada, a distribuidora Ipiranga —uma das três maiores do país, juntamente
com Vibra e Raízen— afirmou que a empresa acompanha continuamente as
condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais, sempre em
conformidade com a legislação vigente e alinhada às práticas do setor.
A empresa disse ainda que "o preço final nos postos é definido pelos
revendedores, uma vez que o mercado brasileiro opera sob o princípio da livre
concorrência, conforme estabelece a legislação".
As outras duas principais distribuidoras não se manifestaram, enquanto o IBP,
que representa todas elas, afirmou que a formação de preços dos combustíveis
na cadeia de distribuição nacional é livre, seguindo a dinâmica de oferta e
demanda.
Já a Fecombustíveis ressaltou a importância de "esclarecer os fatos", para que os
postos revendedores não sejam "injustamente responsabilizados" pela opinião
pública em razão do aumento dos custos de operação causados por majorações
de preço ocorridas em etapas anteriores da cadeia.